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	<title>blog d'apontamentos</title>
	<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com</link>
	<description>blog de rascunhos mais ou menos literarios</description>
	<pubDate>Thu, 15 May 2008 13:18:47 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>

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		<title>seis palavras</title>
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		<pubDate>Thu, 15 May 2008 13:16:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	Em resposta a este irrecusável desafio lembrei-me primeiro de uma  versão adaptada de algo que em tempos escrevi, e que me poderia definir,
	Idiota a caminho de idiota completo.
	mas depois regresso ao texto e percebo que se fala em pequena biografia, o que me parece diferente.
	Nasci. Morrerei um dia. Entretanto vivo.
	[Não vou nomear ninguém mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Em resposta a este irrecusável <a href="http://cerejasmaduras.blogspot.com/2008/05/em-seis-palavras.html">desafio</a> lembrei-me primeiro de uma  versão adaptada de algo que em tempos escrevi, e que me poderia definir,</p>
	<p><strong>Idiota a caminho de idiota completo.</strong></p>
	<p>mas depois regresso ao texto e percebo que se fala em pequena biografia, o que me parece diferente.</p>
	<p><strong>Nasci. Morrerei um dia. Entretanto vivo.</strong></p>
	<p>[Não vou nomear ninguém mas quem quiser pode considerar-se nomeado e continuar o desafio.]
</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A minha vaidade</title>
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		<pubDate>Fri, 09 May 2008 08:36:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	Escrevo por necessidade e dou a conhecer o que escrevo por partilha. 
	[ver outros lados da questão aqui]

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Escrevo por necessidade e dou a conhecer o que escrevo por partilha. </p>
	<p>[ver outros lados da questão <a href="http://antologiadoesquecimento.blogspot.com/2008/05/o-outro-lado-da-questo.html">aqui</a>]
</p>
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		<title>OS MEUS DIAS</title>
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		<pubDate>Wed, 07 May 2008 09:11:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	[AS MINHAS LEITURAS]
	Ler é algo que levo muito a sério. Leio todos os dias sem falta, pela manhã, que é quando sinto a mente mais aberta à alegria da leitura.
	Levanto-me muito cedo e, depois de executar a minha higiene pessoal e tomar a primeira refeição do dia, leio até a fome me voltar, lá para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>[AS MINHAS LEITURAS]</p>
	<p>Ler é algo que levo muito a sério. Leio todos os dias sem falta, pela manhã, que é quando sinto a mente mais aberta à alegria da leitura.</p>
	<p>Levanto-me muito cedo e, depois de executar a minha higiene pessoal e tomar a primeira refeição do dia, leio até a fome me voltar, lá para o meio da manhã, altura em que interrompo a leitura, apenas o tempo suficiente para comer uma peça de fruta, e retomo-a depois sem mais pausas até à hora do almoço. São mais de quatro horas de leitura por dia, o que me parece perfeitamente adequado ao meu estado e à minha condição actuais.</p>
	<p>Continuo a trazer livros para casa e a enchê-la com eles, como sempre fiz, mas os livros que leio são os mesmos há anos. Não conheço maior felicidade do que reler aqueles poucos livros que me agradam sempre mais a cada leitura.</p>
	<p>[OS MEUS ALMOÇOS]</p>
	<p>O almoço é sem dúvida a refeição a que dou mais importância, a única refeição do dia em que preparo realmente alguma coisa para comer e também a única em que me sento à mesa para comer.</p>
	<p>No entanto, tal como as outras refeições, o meu almoço depende sempre do que tenha em casa, o que, por estes dias que correm, depende por sua vez do que tenha recolhido durante os meus passeios dos dias anteriores.</p>
	<p>Hoje, por exemplo, é um bom dia, tenho um pacote inteiro de arroz carolino que me ofereceram ontem e um ramo de coentros que apanhei numa pequena horta no limite norte da cidade. Tenho também uma garrafa pequena de azeite meio cheia que trouxe comigo da última vez que me sentei num restaurante.</p>
	<p>Nestas circunstâncias, o meu almoço adivinha-se pouco exuberante, mas há muito que aprendi que o apetite é o melhor dos temperos.</p>
	<p>[AS MINHAS CONVERSAS]</p>
	<p>Nos meus passeios gosto muito de conversar com os cães, os gatos e as pedras, ainda que com cada um deles por razões diferentes.</p>
	<p>Os cães abrem muito a boca, abanam vigorosamente a cauda e às vezes até ladram, mas nunca me ignoram ou me olham com indiferença.</p>
	<p>Os gatos deixam-me falar, silenciosos, atentos, como que dizendo-me que aqueles que escutam não são menos importantes do que aqueles que falam.</p>
	<p>De todos, os melhores ouvintes são as pedras, ainda que as maiores escutem melhor que as mais pequenas e as mais redondas melhor que as pontiagudas.</p>
	<p>Já com as flores raramente converso, aprecio muito a sua beleza mas não lhes suporto a tagarelice: têm sempre alguma coisa pouco importante para dizer e estão sempre dispostas a dizê-lo.</p>
	<p>Escusado será dizer que nos meus passeios nunca converso com pessoas. Elas olham-me, cada vez mais, com um misto de indiferença e desconfiança.</p>
	<p>[OS MEUS PASSEIOS]</p>
	<p>Uma única preocupação rege os passeios que dou todas as tardes, a de que não tenham qualquer objectivo. Não quero com eles chegar a algum lado ou obter algum proveito.  A única função que realizam é de ordem estritamente espiritual e tudo faço para garantir que assim continue.</p>
	<p>Por esse motivo é que são todos diferentes no seu traçado, o mais possível, apesar de, por segurança e comodidade, serem em parte iguais a si próprios, pelo menos pela metade, uma vez que regresso sempre pelo mesmo caminho que me levou onde o acaso, apesar de controlado, me conduziu.</p>
	<p>Verdade seja dita que sempre tive uma boa memória visual e um razoável grau de concentração, o que explica que nunca me tenha perdido e tenha sempre conseguido regressar sobre os meus passos.</p>
	<p>Mas se no início o fazia com alguma dificuldade, hoje em dia passeio sem esforço e com autêntica felicidade.</p>
	<p>[AS MINHAS NOITES]</p>
	<p>As minhas noites são todas iguais: fico sempre em casa mas quase não durmo. É um problema que tenho há muitos anos, e para o qual não consegui arranjar outra solução a não ser aceitá-lo, e aproveitar as poucas horas que consigo dormir.</p>
	<p>Como nunca sei quando o sono vai chegar, deixo-me ficar à espera dele quanto tempo for necessário, deitado na cama, imóvel, de barriga para o ar e com os olhos bem fechados.</p>
	<p>Aprendi desta forma a identificar todos os ruídos que se produzem no meu bairro desde que o dia desaparece até que volta, pois a insónia abriu-me os sentidos e a memória das noites é-me muito mais viva que a dos dias.</p>
	<p>Só não sei a que horas os ruídos se produzem, pois mantenho sempre os olhos fechados, mas conheço toda a sequência em que se produzem, como se fosse o próprio bater do meu coração.</p>
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		<title>rua do imaginário</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/04/25/rua-do-imaginario/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 06:53:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	ligue-se!

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><a href="http://ruadoimaginario.blogspot.com">ligue-se!</a>
</p>
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		<title>A SUA MELHOR OBRA</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/04/22/a-sua-melhor-obra/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 21:22:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	[ao Paulo Serra]
	Está excelente. É a tua melhor obra.
Achas?
Nunca fizeste nada assim. É o melhor que já fizeste, e um dos melhores quadros que já vi.
Mas ainda não está acabado.
Para mim está mais que acabado.
Não, falta qualquer coisa.
	A tela estava deitada no chão e o pintor ajoelhado a seu lado, como se rezasse, a cabeça [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>[ao Paulo Serra]</p>
	<p>Está excelente. É a tua melhor obra.<br />
Achas?<br />
Nunca fizeste nada assim. É o melhor que já fizeste, e um dos melhores quadros que já vi.<br />
Mas ainda não está acabado.<br />
Para mim está mais que acabado.<br />
Não, falta qualquer coisa.</p>
	<p>A tela estava deitada no chão e o pintor ajoelhado a seu lado, como se rezasse, a cabeça baixa. O amigo, o único verdadeiro amigo que tinha, estava em pé à sua frente, e ambos olhavam o quadro.</p>
	<p>Estás no pleno domínio da tua arte, este quadro diz isso. Conseguiste finalmente encontrar o equilíbrio que procuravas.<br />
Equilíbrio?<br />
Nota-se também no que dizes, na forma como falas da tua arte. Estás diferente. Estás melhor.<br />
Organizei-me. Precisava fazê-lo.<br />
Sim, e isso nota-se. Há um equilíbrio quase perfeito entre o que és e a tua arte.<br />
Equilíbrio?</p>
	<p>O pintor olhou para cima para o amigo e os seus olhares encontraram-se. Conheciam-se há muito tempo. Tinham aprendido a escutar-se um ao outro.</p>
	<p>Estou mais sereno mas dificilmente chamaria equilíbrio a este meu novo estado.<br />
Estás mais seguro.<br />
Mais seguro?<br />
Sim, mais seguro.<br />
Talvez.</p>
	<p>O pintor levantou-se e recuou dois ou três passos, sempre a olhar para a tela no chão.</p>
	<p>É sempre tão difícil acabar um quadro.<br />
Como é que sabes quando está acabado?<br />
Quando está acabado eu sei! O difícil é chegar lá.<br />
Mas não sabes o que queres fazer?<br />
Não exactamente.<br />
Não antecipas o quadro acabado?<br />
Não. Não propriamente.</p>
	<p>O amigo colocou-se ao lado do pintor e ficaram os dois durante algum tempo em silêncio, a olhar a tela. O dia estava a terminar e a luz entrava já a custo no atelier. O pintor continuava a olhar a tela.</p>
	<p>Vamos beber uma cerveja?<br />
Mais tarde.<br />
Tens a certeza?<br />
Tenho de acabar o quadro.<br />
Pensei que concordavas comigo.<br />
Como?<br />
Pensei que tinhas concordado que estava terminado.<br />
Não.<br />
O quê?<br />
Não está terminado.<br />
Não?<br />
Não, ainda não.</p>
	<p>O pintor continuou a olhar o quadro, silencioso, imóvel. A tela no chão oferecia-se ao seu olhar, submissa, mas ele olhava-a como que assustado, desconfiado. O amigo olhou para o pintor, de uma forma não muito diferente daquela que o pintor olhava para a sua obra.</p>
	<p>Olha que não te morde.<br />
O quê?<br />
Olhas para o quadro como se fosse um animal perigoso.</p>
	<p>E sorriu, soltou mesmo uma pequena risada, mas o pintor manteve o mesmo semblante inquieto e não desviou nem por um instante o olhar do quadro. O amigo foi até à porta, acendeu a luz, e ficou a olhar o pintor.</p>
	<p>É a tua melhor obra, disse finalmente, e saiu sem esperar resposta. Sabia que quando ele estava assim o melhor era deixá-lo sozinho. Ou terminaria o quadro ou abandoná-lo-ia, mas ia demorar. Já tinha estado noites inteiras à espera que ele acabasse um quadro. Mas quando ele conseguia acabá-lo, podia ser uma pequena pincelada, uma mancha de cor, ou até uma frase, o quadro ganhava subitamente sentido e brilhava como uma estrela recém-nascida. Mas daquela vez o quadro parecia-lhe acabado, e o mais certo é que o amigo acabasse por desistir.</p>
	<p>Dobrou a primeira esquina a seguir ao largo e entrou no café onde iam muitas vezes os dois beber uma cerveja. Numa das mesas estava um amigo que morava ali perto, também escritor, companheiro de copos e de tertúlias.</p>
	<p>Vieste visitar o teu amigo pintor?<br />
Sim, saí mesmo agora do atelier.<br />
Como é que ele está?<br />
Está bem, as coisas estão a correr-lhe melhor. Está a começar a ser reconhecido.<br />
Gosto do que ele faz.<br />
Está cada vez mais no domínio da sua arte.<br />
Os quadros dele são bastante obsessivos, não são? E ele então, é melhor nem falar.</p>
	<p>Estavam os dois a beber cerveja e davam longos golos pelas garrafas, como que pontuando cada frase com um silêncio líquido.</p>
	<p>A ligação entre a vida e a obra é nele muita íntima e intensa. Como em todos os grandes artistas! Não concordas?<br />
Claro. A técnica por si só pode produzir boas obras, mas para uma obra excelente é preciso algo mais.<br />
Havias de ver o quadro que acabou de pintar. Excelente. A sua melhor obra.</p>
	<p>E pediram mais duas cervejas, e falaram de literatura, e mudaram de sítio, e continuaram a beber cerveja e a falar de literatura. Só muito mais tarde o escritor voltou a lembrar-se do seu amigo pintor.</p>
	<p>Teria acabado o quadro? </p>
	<p>No exacto momento em que o amigo se interrogou, que a realidade ultrapassa muitas vezes a ficção, o pintor levantou-se decidido, sacudindo a sua imobilidade, e dirigiu-se a uma bancada perto da janela, de onde retirou uma navalha que usava habitualmente, sempre que era necessário raspar ou cortar qualquer coisa.</p>
	<p>Trouxe-a fechada na mão até ao pé da tela e voltou a ajoelhar-se. </p>
	<p>Olhou ainda mais uma vez a tela e mais uma vez percebeu que sabia como acabá-la. Sabia o que faltava. Seria sem dúvida a sua melhor obra.</p>
	<p>Abriu a navalha, cortou os pulsos sem hesitação e suspendeu-os à sua frente, à altura do peito, o sangue a derramar-se sobre a tela.</p>
	<p>							Faro, Abril de 2008<br />
							Luís Ene</p>
	<p>[publicado <a href="http://texto-al.blogspot.com/2008/04/sua-melhor-obra.html">aqui</a>]</p>
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		<title></title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/04/08/920/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Apr 2008 17:58:36 +0000</pubDate>
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	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	Sigam-me

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><a href="http://texto-al.blogspot.com">Sigam-me</a>
</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Volto já!</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/13/volto-ja-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Mar 2008 11:02:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>mistura fina</category>
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		<description><![CDATA[	 
	Ainda há livros que quero
.
.
.
ler.
	Ainda há livros que quero
.
.
.
escrever.
	Ainda há tanto para
.
.
.
viver.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><a href="http://www.nelsondaires.net/fotoblogs/alberto_monteiro/index.html"><img src='/images/037572.jpg' alt='' /> </a></p>
	<p>Ainda há livros que quero<br />
.<br />
.<br />
.<br />
ler.</p>
	<p>Ainda há livros que quero<br />
.<br />
.<br />
.<br />
escrever.</p>
	<p>Ainda há tanto para<br />
.<br />
.<br />
.<br />
viver.
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Volto já</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/12/volto-ja/</link>
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		<pubDate>Wed, 12 Mar 2008 15:18:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	Há ainda tantos livros  que quero ler.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Há ainda tantos livros  que quero ler.
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>pequenas histórias viciadas 6 e 7</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Mar 2008 07:03:16 +0000</pubDate>
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	<category>microficção</category>
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		<description><![CDATA[	[chego assim às 7x7 e por aqui fico]
	EN PASSANT
Deixou de jogar xadrez. Perdeu vinte quilos.
	O VIRA-CASACAS
Morreu e passou a acreditar em Deus.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>[chego assim às 7x7 e por aqui fico]</p>
	<p>EN PASSANT<br />
Deixou de jogar xadrez. Perdeu vinte quilos.</p>
	<p>O VIRA-CASACAS<br />
Morreu e passou a acreditar em Deus.</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>pequenas histórias viciadas 4 e 5</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/11/historias-viciadas-4-e-5/</link>
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		<pubDate>Tue, 11 Mar 2008 13:50:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>microficção</category>
		<guid>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/11/historias-viciadas-4-e-5/</guid>
		<description><![CDATA[	[Depois do Fernando, duas histórias viciadas para a Margarida, completando assim a trindade minguântica.]
	CONDIÇÃO FEMININA
	Sabia-lhe bem, mas a ele sabia-lhe melhor.
	A FEMINISTA DETERMINADA
	Amava-o mas não tinha escolhido amá-lo. Deixou-o.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>[Depois do Fernando, duas histórias viciadas para a <a href="http://margarida23.blogspot.com">Margarida</a>, completando assim a trindade minguântica.]</p>
	<p>CONDIÇÃO FEMININA</p>
	<p>Sabia-lhe bem, mas a ele sabia-lhe melhor.</p>
	<p>A FEMINISTA DETERMINADA</p>
	<p>Amava-o mas não tinha escolhido amá-lo. Deixou-o.</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>pequenas histórias viciadas 2 e 3</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/10/pequenas-historias-viciadas-2-e-3/</link>
		<comments>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/10/pequenas-historias-viciadas-2-e-3/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 10 Mar 2008 09:35:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
		<guid>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/10/pequenas-historias-viciadas-2-e-3/</guid>
		<description><![CDATA[	[O próximo tema da Minguante é Vícios. A Minguante é uma revista de micronarrativas e uma das mais citadas é O Dinossauro de Monterroso, apenas com sete palavras. Por tudo isto, escrevo estas pequenas histórias viciadas. As duas de hoje são para o Fernando, mestre das pequenas histórias debochadas.]
	COERÊNCIA
	Profissão: percussionista. Desporto preferido: ténis. Vício: masturbação.
	TEMPOS [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>[O próximo tema da <a href="http://minguante.com">Minguante</a> é Vícios. A Minguante é uma revista de <a href="http://minguante.com/?faq=g2">micronarrativas</a> e uma das mais citadas é <a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2228">O Dinossauro</a> de Monterroso, apenas com sete palavras. Por tudo isto, escrevo estas <a href="http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/07/pequenas-historias-viciadas-1/">pequenas histórias viciadas</a>. As duas de hoje são para o <a href="http://minguante.com/?autor=fernando_gomes">Fernando</a>, mestre das <a href="http://metamorfases.blogsome.com/">pequenas histórias debochadas</a>.]</p>
	<p>COERÊNCIA</p>
	<p>Profissão: percussionista. Desporto preferido: ténis. Vício: masturbação.</p>
	<p>TEMPOS MODERNOS</p>
	<p>Para poupar tempo fodia sempre de pé.
</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/10/pequenas-historias-viciadas-2-e-3/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>injustiça</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/09/injustica/</link>
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		<pubDate>Sun, 09 Mar 2008 10:53:25 +0000</pubDate>
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	<category>mistura fina</category>
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		<description><![CDATA[	Matou: foi condenado numa multa. Não pagou a multa: foi preso.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Matou: foi condenado numa multa. Não pagou a multa: foi preso.
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title></title>
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		<pubDate>Fri, 07 Mar 2008 17:38:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	
	Quem me conhece sabe que sou mais do tipo de gostar de quebrar correntes, mas, vinda de onde vem e porque é sexta-feira, vou passar o prémio a sul, pelas manas, pelo António, pelo asulado e pelo Helder.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><img src='/images/bloggerdeldia.jpg' alt='' /></p>
	<p>Quem me conhece sabe que sou mais do tipo de gostar de quebrar correntes, mas, <a href="http://zeromaisquatro.blogspot.com/2008/03/blogger-del-dia.html">vinda</a> de onde <a href="http://zeromaisquatro.blogspot.com/">vem</a> e porque é sexta-feira, vou passar o prémio a sul, pelas <a href="http://cerejasmaduras.blogspot.com/">ma</a>n<a href="http://fugirdafoto.blogspot.com/">as</a>, pelo <a href="http://blogal.blogspot.com/ antónio baeta">António</a>, pelo <a href="http://asul-blog.blogspot.com/ asulado">asulado</a> e pelo <a href="http://contrasensus.blogspot.com/ helder">Helder</a>.
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>pequenas histórias viciadas 1</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Mar 2008 16:22:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>microficção</category>
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		<description><![CDATA[	O MONGE
	Abandonou o hábito e entregou-se ao vício.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>O MONGE</p>
	<p>Abandonou o hábito e entregou-se ao vício.
</p>
]]></content:encoded>
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		<title>CANÇÃO DO BANDIDO AO SEU AMOR APÓS A TRAIÇÃO</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Mar 2008 11:18:47 +0000</pubDate>
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	<category>mistura fina</category>
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		<description><![CDATA[	Fica a saber que por ti enfrentaria todos os perigos, todos os desafios. No entanto, como sou fraco, o mais natural seria que falhasse e falhasse e continuasse a falhar mas, escuta-me bem, a culpa não seria minha nem do meu amor por ti. Por isso é que te compreendo muito bem e não te [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Fica a saber que por ti enfrentaria todos os perigos, todos os desafios. No entanto, como sou fraco, o mais natural seria que falhasse e falhasse e continuasse a falhar mas, escuta-me bem, a culpa não seria minha nem do meu amor por ti. Por isso é que te compreendo muito bem e não te quero mal. Deixa-me que te diga que, no meio da minha dor, me sinto ainda assim feliz, por perceber que não deixei de te amar.</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Big Ode #4</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Mar 2008 09:36:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	Afinal não foi preciso aguentar muito. A Big Ode #4 já canta e, deixem-me dizer, numa primeira impressão, que canta muito bem. Desde logo o formato, a que Rodrigo Miragaia chama de “formato paisagem”, e que funciona, além do mais, como um delicioso “trompe d’oeil”. Por outro lado, parece-me existir um evidente salto qualitativo do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Afinal não foi preciso aguentar muito. A <strong>Big Ode #4</strong> já canta e, deixem-me dizer, numa primeira impressão, que canta muito bem. Desde logo o formato, a que Rodrigo Miragaia chama de “formato paisagem”, e que funciona, além do mais, como um delicioso “trompe d’oeil”. Por outro lado, parece-me existir um evidente salto qualitativo do anterior número para este, ainda numa consideração da revista como objecto, por assim dizer. Quanto aos textos e às imagens, preferências e simpatias à parte, o nível geral parece-me alto. Curioso que a prosa, ainda que poética, tenha sido a preferência de grande parte dos autores. Assim e ainda que “à vol d’oiseau”, e hoje deu-me para o francês, não tenho dúvidas que a Big Ode # está excelente e se recomenda.</p>
	<p>Chamou-me a atenção, entre outros, este pequeno texto de <a href="http://paralogico.blogspot.com/">Mário Calado Pedro</a>, que aqui deixo como “teaser”, e desculpem-me mas hoje deu-me para as línguas.</p>
	<p>ELES (OS OUTROS)</p>
	<p>Planeiam o paraíso enquanto esculpem o inferno em que se deixam viver.
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title></title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/04/909/</link>
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		<pubDate>Tue, 04 Mar 2008 17:15:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	
	primeiro foi a vontade de ver/ler a antologia, agora é a vontade de ver/ler o número #4  da revista big ode. não sei se aguento.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><img src='/images/bigode4.jpg' alt='' width="400"/></p>
	<p>primeiro foi a vontade de ver/ler a <a href="http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/02/primeira-antologia-de-micro-ficcao-portuguesa/">antologia</a>, agora é a vontade de ver/ler o número #4  da revista <a href="http://big-ode.blogspot.com/">big ode</a>. não sei se aguento.
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>pequenas alegrias do blogger</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Mar 2008 12:27:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	uma etiqueta com o meu nome no sabor a sal

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>uma etiqueta com o meu <a href="http://margarida23.blogspot.com/search/label/Lu%C3%ADs%20Ene">nome</a> no sabor a sal
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>vozes de orquestra 3</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/03/vozes-de-orquestra-3/</link>
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		<pubDate>Mon, 03 Mar 2008 11:20:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
		<guid>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/03/vozes-de-orquestra-3/</guid>
		<description><![CDATA[	A verdade é que a marimba nunca se está a marimbar, mas a fama ninguém lhe tira, as coisas são mesmo assim!

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>A verdade é que a marimba nunca se está a marimbar, mas a fama ninguém lhe tira, as coisas são mesmo assim!
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>YOU ARE WELCOME TO ELSINORE</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/03/you-are-welcome-to-elsinore/</link>
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		<pubDate>Mon, 03 Mar 2008 11:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
	<category>1 poema por semana</category>
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		<description><![CDATA[	[Mário Cesariny]
	Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>[Mário Cesariny]</p>
	<p>Entre nós e as palavras há metal fundente<br />
entre nós e as palavras há hélices que andam<br />
e podem dar-nos morte violar-nos tirar<br />
do mais fundo de nós o mais útil segredo<br />
entre nós e as palavras há perfis ardentes<br />
espaços cheios de gente de costas<br />
altas flores venenosas portas por abrir<br />
e escadas e ponteiros e crianças sentadas<br />
à espera do seu tempo e do seu precipício</p>
	<p>Ao longo da muralha que habitamos<br />
há palavras de vida há palavras de morte<br />
há palavras imensas, que esperam por nós<br />
e outras, frágeis, que deixaram de esperar<br />
há palavras acesas como barcos<br />
e há palavras homens, palavras que guardam<br />
o seu segredo e a sua posição</p>
	<p>Entre nós e as palavras, surdamente<br />
as mãos e as palavras de Elsenor<br />
E há palavras e nocturnas palavras gemidos<br />
palavras que nos sobem ilegíveis à boca<br />
palavras diamantes palavras nunca escritas<br />
palavras impossíveis de escrever<br />
por não termos connosco cordas de violinos<br />
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar<br />
e os braços dos amantes escrevem muito alto<br />
muito além do azul onde oxidados morrem<br />
palavras maternais só sombra só soluço<br />
só espasmos só amor só solidão desfeita</p>
	<p>Entre nós e as palavras, os emparedados<br />
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar!</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>[&#8230;]</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/02/906/</link>
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		<pubDate>Sun, 02 Mar 2008 08:58:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>mistura fina</category>
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		<description><![CDATA[	A verdade do poema
não é diferente
da verdade do mundo
	existe para além
do sentido
que lhe encontramos
	existe para além
do sentido
que lhe damos
	existe em si e por si
pois só em si existe
a sua razão de existir
	por isso o poeta
escreve
o poema
	mas o poema
escreve-se
a si mesmo
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>A verdade do poema<br />
não é diferente<br />
da verdade do mundo</p>
	<p>existe para além<br />
do sentido<br />
que lhe encontramos</p>
	<p>existe para além<br />
do sentido<br />
que lhe damos</p>
	<p>existe em si e por si<br />
pois só em si existe<br />
a sua razão de existir</p>
	<p>por isso o poeta<br />
escreve<br />
o poema</p>
	<p>mas o poema<br />
escreve-se<br />
a si mesmo</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>vozes de orquestra 2</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/02/vozes-de-orquestra-2/</link>
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		<pubDate>Sun, 02 Mar 2008 07:59:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
		<guid>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/02/vozes-de-orquestra-2/</guid>
		<description><![CDATA[	Ora é trompete  ora é trompeta, onde já se viu tal coisa, o mundo está perdido!

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Ora é trompete  ora é trompeta, onde já se viu tal coisa, o mundo está perdido<a href="http://www.coraldelchiaro.com.br/dicionario.htm">!</a>
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>PRIMEIRA ANTOLOGIA DE MICRO-FICÇÃO PORTUGUESA</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/02/primeira-antologia-de-micro-ficcao-portuguesa/</link>
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		<pubDate>Sun, 02 Mar 2008 07:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
		<guid>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/02/primeira-antologia-de-micro-ficcao-portuguesa/</guid>
		<description><![CDATA[	 
	ainda não a tenho e estou cheio de curiosidade. o texto do Henrique não ajuda, ainda me deixa com mais vontade.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><img src='/images/Antologia1.jpg' alt='' /> </p>
	<p>ainda não a tenho e estou cheio de curiosidade. o <a href="http://antologiadoesquecimento.blogspot.com/2008/03/primeira-antologia-de-micro-fico.html">texto </a>do Henrique não ajuda, ainda me deixa com mais <a href="http://www.webboom.pt/ficha.asp?id=169791">vontade</a>.
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title></title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/01/902/</link>
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		<pubDate>Sat, 01 Mar 2008 20:56:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
		<guid>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/01/902/</guid>
		<description><![CDATA[	a revista, mas também o espaço, a nova minguante, está aí. estou feliz. um abraço à margarida e ao fernando e a todos quantos colaboraram.
	

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>a revista, mas também o espaço, a nova <a href="http://minguante.com">minguante</a>, está aí. estou feliz. um abraço à margarida e ao fernando e a todos quantos colaboraram.</p>
	<p><img src='/images/capa_01.jpg' alt='' />
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>a propósito de &#8220;escrever bem&#8221;</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/01/a-proposito-de-escrever-bem/</link>
		<comments>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/01/a-proposito-de-escrever-bem/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2008 12:10:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
		<guid>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/01/a-proposito-de-escrever-bem/</guid>
		<description><![CDATA[	O que acontece quando douramos um cagalhão é que ele não deixa por isso de ser um cagalhão mas, ao mesmo tempo, também já não é um cagalhão de verdade.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>O que acontece quando douramos um cagalhão é que ele não deixa por isso de ser um cagalhão mas, ao mesmo tempo, também já não é um cagalhão de verdade.
</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/03/01/a-proposito-de-escrever-bem/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>Vozes de orquestra</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/29/vozes-de-orquestra/</link>
		<comments>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/29/vozes-de-orquestra/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 29 Feb 2008 17:30:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
		<guid>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/29/vozes-de-orquestra/</guid>
		<description><![CDATA[	Mas o que se passa com o contrabaixo? Para além de baixo ainda é do contra!
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Mas o que se passa com o contrabaixo? Para além de baixo ainda é do contra<a href="http://www.ejazz.com.br/detalhes-instrumentos.asp?cd=67">!</a></p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>[&#8230;]</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/29/899/</link>
		<comments>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/29/899/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 29 Feb 2008 07:51:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>mistura fina</category>
		<guid>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/29/899/</guid>
		<description><![CDATA[	Vou direito ao assunto:
	Olhar de frente
é não ver
	Dizer é sempre
não dizer
	&#8212;>
	O poema perfeito
escuta o que te digo
seria todo ele
feito de silêncios
	&#8212;>
	Não percebo
este poema
dizes-me
E eu explico-te:
O poema é uma voz
apenas uma voz
Não procures
perceber  o poema
escuta-o apenas
	&#8212;>
	Lês um dos meus poemas e pareces admirado
Perguntas-me por que escrevo assim.
Respondo-te que é assim que eu sou.
E tu então [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Vou direito ao assunto:</p>
	<p>Olhar de frente<br />
é não ver</p>
	<p>Dizer é sempre<br />
não dizer</p>
	<p>&#8212;></p>
	<p>O poema perfeito<br />
escuta o que te digo<br />
seria todo ele<br />
feito de silêncios</p>
	<p>&#8212;></p>
	<p>Não percebo<br />
este poema<br />
dizes-me<br />
E eu explico-te:<br />
O poema é uma voz<br />
apenas uma voz<br />
Não procures<br />
perceber  o poema<br />
escuta-o apenas</p>
	<p>&#8212;></p>
	<p>Lês um dos meus poemas e pareces admirado<br />
Perguntas-me por que escrevo assim.<br />
Respondo-te que é assim que eu sou.<br />
E tu então sorris.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/29/899/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>EXPLICAÇÃO DA ETERNIDADE</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/28/explicacao-da-eternidade/</link>
		<comments>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/28/explicacao-da-eternidade/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 28 Feb 2008 09:41:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>1 poema por semana</category>
		<guid>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/28/explicacao-da-eternidade/</guid>
		<description><![CDATA[	José Luis Peixoto
	devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.
	os assuntos que julgámos profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.
	por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.
	os instantes dos teus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>José Luis Peixoto</p>
	<p>devagar, o tempo transforma tudo em tempo.<br />
o ódio transforma-se em tempo, o amor<br />
transforma-se em tempo, a dor transforma-se<br />
em tempo.</p>
	<p>os assuntos que julgámos profundos,<br />
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,<br />
transformam-se devagar em tempo.</p>
	<p>por si só, o tempo não é nada.<br />
a idade de nada é nada.<br />
a eternidade não existe.<br />
no entanto, a eternidade existe.</p>
	<p>os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.<br />
os instantes do teu sorriso eram eternos.<br />
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.</p>
	<p>foste eterna até ao fim.</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O Último dos Portugueses</title>
		<link>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/27/o-ultimo-dos-portugueses/</link>
		<comments>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/27/o-ultimo-dos-portugueses/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 27 Feb 2008 07:59:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
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		<description><![CDATA[	[volto a este conto que já quase esquecera e que vai ficar aqui durante algum tempo, dando conta do cansaço que sinto por estes dias em relação a Portugal e aos portugueses, a mim me incluindo.]
	Sebastião José de Oliveira Portugal já não se encontra entre nós. A sua morte, anunciada pela primeira vez há dois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>[volto a este conto que já quase esquecera e que vai ficar aqui durante algum tempo, dando conta do cansaço que sinto por estes dias em relação a Portugal e aos portugueses, a mim me incluindo.]</p>
	<p>Sebastião José de Oliveira Portugal já não se encontra entre nós. A sua morte, anunciada pela primeira vez há dois dias, foi hoje confirmada oficialmente. O último dos portugueses, como foi popularizado pelos meios de comunicação nos últimos meses, entra assim na lenda.</p>
	<p>Conheci bem Sebastião José de Oliveira Portugal, e posso dizer que fomos bons amigos. Também posso dizer que muitas vezes o admirei e o invejei, como quando decidiu ir viver para Portugal, há pouco mais de um mês, onde acabou afinal por morrer. Era um homem de muita coragem, de muita ousadia. Um português.<br />
Penso que não houve um único português no mundo que não se tenha sentido ultrajado como a sua decisão; mas também tenho a certeza que não houve no mundo um único português, dos muitos espalhados pelo mundo, que não o tenha invejado. Portugal é uma questão que cada português tem consigo mesmo. Uma questão nunca resolvida. Um remorso de todos nós.</p>
	<p>Veio visitar-me dias antes de ir para Portugal, não para me pedir conselho ou tentar convencer-me da justeza da sua posição, mas apenas para se despedir de mim. Durante anos mantivemos intermináveis conversas, quase sempre regadas com um raro e precioso vinho português, paixão antiga que nos unia. É verdade que agora éramos todos ricos, estupidamente ricos, mas os vinhos portugueses eram cada vez mais raros e, para além de custarem pequenas fortunas, a sua obtenção exigia complicadas manobras de troca de favores e de influências, no que continuávamos peritos ainda que cada vez menos portugueses.</p>
	<p>Não posso dizer que não fiquei admirado com a sua decisão, muito pelo contrário, fiquei muito admirado; quer por a ter tomado, quer por a ter mantido, pois estou certo que o seu prestígio não teria saído beliscado se tivesse oportunamente voltado com a palavra atrás. É claro que o sabia dado a bravatas e a tresloucados entusiasmos. Afinal corria-lhe nas veias o melhor sangue português, povo sempre dado a heróicos exageros e a teimosias desmedidas.</p>
	<p>Sebastião José de Oliveira Portugal descendia de uma longa linhagem de políticos que era fácil seguir no tempo muito para lá da Evolução dos Cravos. Os seus antepassados nunca tinham feito nada a não ser dedicarem-se à vida política, e a Portugal. E ele não era em nada diferente dos outros.<br />
Segundo me contou então — numa narrativa cheia de fantásticos pormenores e prolongadas gargalhadas, como era seu hábito – não tinha tido outra alternativa.</p>
	<p>O que é que eu podia ter feito? Não tive outra alternativa. Preciso ir para Portugal. Só assim posso mostrar a todos os portugueses o que é afinal ser português nos dias de hoje. Ser português é, hoje e sempre, ter tomates. E eu tenho-os.<br />
Tudo isto acompanhado de gestos largos e de um enorme sorriso, só interrompido para declarar com grave sonoridade que não se pode viver direito quando se tem a espinha torta.<br />
O desgosto. O remorso. Disse ainda, e ambos repetimos como se rezássemos. O desgosto. O remorso.<br />
É claro que a versão que correu, caricatural e pouco digna, foi muita diferente, mas é preciso não esquecer que Sebastião de Oliveira Portugal era um dos mais poderosos líderes da oposição, e as coisas são mesmo assim, a cada um a história que mais lhe convém. Mas ele era um grande português e quanto a isso não existem quaisquer dúvidas.</p>
	<p>Tudo aconteceu num almoço para o qual tinha sido convidado pelo Primeiro-ministro de Portugal, no aniversário do acontecimento que transformou Portugal naquilo que é hoje, o país mais rico e mais singular do mundo, e que é apelidado vulgarmente pelos portugueses como o segundo milagre de Fátima, dado que os primeiros acontecimentos tiveram lugar nessa mesma região. Mas é desnecessário contar aquilo que todos sabem, e o melhor é contar os factos menos conhecidos que se verificaram no decurso do referido almoço comemorativo.</p>
	<p>O incidente terá começado quando Sebastião José de Oliveira Portugal recusou o prato de bacalhau, o que não passou despercebido quer aos vários membros do governo quer ao próprio Primeiro-ministro. Sebastião José de Oliveira Portugal terá não só recusado que lhe servissem bacalhau como terá dito, alto e bom som, que como português que ainda se considerava, apesar de tudo, não se prestava àquelas palhaçadas com símbolos nacionais.<br />
É claro que estava a ser excessivo, e até injusto, mas ele era bastante hábil na criação destes incidentes, e sabia-os não só criar na perfeição como tirar deles o máximo partido. A sua carreira política está cheia de pequenos e deliciosos incidentes, aproveitados sem qualquer pudor ou remorso. Entre amigos ele dizia sempre que era a forma mais portuguesa de fazer política. E ria-se muito. Adorava estar na oposição. Era muito mais divertido e dava muito mais luta.</p>
	<p>Como todos sabem, há muito que a pesca do bacalhau foi proibida, afirmando-se no entanto que a espécie se encontra extinta. Seja como for, um bom bacalhau seco e salgado é coisa do passado, como o proverbial atraso português e a sua atávica pobreza. Ou a muita coragem dos portugueses, isto se quisermos recuar muito mais no tempo, diria Sebastião José de Oliveira Portugal.<br />
O dito prato de bacalhau, diz-se, tinha sido ideia do próprio Primeiro-ministro, e muitos estariam disposto a declarar que era uma das suas melhores ideias dos últimos anos. Uma ideia bem portuguesa, aliás. Um prato composto por soja preparada e moldada em forma de posta de bacalhau, cercada por puré de batata e coberta de maionese, prestava assim homenagem ao mítico Bacalhau à Zé do Pipo. Muito saboroso, excelente, delicioso e requintado, como afirmaram, para quem quis ouvir, aqueles que o comeram, protestando, não contra o prato, mas contra a declaração de Sebastião José de Oliveira Portugal. E se é verdade que tal poderia ser interpretado como uma mera afirmação política, sem méritos gastronómicos, o mesmo se pode dizer da afirmação bombástica de Sebastião José de Oliveira Portugal, que nem chegou a provar o dito prato. Mas, como ele disse, era uma questão de princípio, e não de sabor. Há muito que se tinham perdido os valores nacionais, e Portugal não passava de uma anedota, como o provava mais uma vez aquele triste travesti de bacalhau.<br />
Entre ditos jocosos, vivas e vaias, o Primeiro-ministro, com a sua cara de pau habitual, para utilizar uma expressão de Sebastião José de Oliveira Portugal, perguntou-lhe porque não ia ele viver para o seu país, pergunta que foi considerada despropositada e inoportuna, mas teve o condão de mergulhar o salão no mais completo silêncio. Por isso ainda mais sonora e dramática soou a voz de Sebastião de Oliveira Portugal quando anunciou que iria viver para Portugal.<br />
Durante meses não se falou noutra coisa, tendo o incidente sido esticado até para além dos seus limites máximos. E quando parecia que nada mais havia a fazer a não ser esquecer o incidente, Sebastião José de Oliveira Portugal partiu, entre vivas e vaias, deixando todos de boca aberta. Seria o primeiro habitante de Portugal desde há muitos, muitos anos, como se usava dizer nas histórias que se contavam às crianças.</p>
	<p>Estás maluco? Em Portugal nada funciona. O que vais lá fazer?<br />
Ele riu-se e disse entre gargalhadas que em Portugal nunca nada tinha funcionado. O que não tinha impedido que durante muitos séculos Portugal fosse habitado.<br />
Mas é perigoso. Pode ser perigoso.<br />
Ele parou de rir, levou à boca a taça de vinho do Douro, um Batuta de valor incalculável, sorveu delicadamente um gole, bochechou com vigor e finalmente bebeu-o com visível deleite. Depois não disse mais nada e ficou a ouvir com atenção a música que eu colocara para ele, soltando aqui e ali gargalhadas abafadas.</p>
	<p>Há muitos anos que ninguém vivia em Portugal.<br />
Os portugueses, tornados imensamente ricos pelo segundo milagre de Fátima, tinham saindo a pouco e pouco de Portugal, até não restar um só. O país estava fechado. Há muito tempo.<br />
Na altura falou-se em perigo iminente. Disse-se que o que trouxe a riqueza aos portugueses traria também a morte ao país. Disse-se que nenhum outro país teria tomado aquela decisão, que nenhum outro país teria aceitado essa situação. Mas a verdade é que nenhum outro país teve essa oportunidade. Fosse como fosse, perigo efectivo ou destino dos portugueses de se espalharem pelo mundo, o certo é que o país estava vazio, encerrado para sempre, e os portugueses encontravam-se definitivamente espalhados pelos quatro cantos do planeta.</p>
	<p>Sebastião José de Oliveira Portugal ia ser o primeiro português a voltar ao seu país desde há muito anos. Tentaram-no impedir das mais diversas formas, e isso deu-lhe ainda mais vontade de ir. Era um homem teimoso e de muita coragem. Um verdadeiro português. Naquele dia, quando saiu de minha casa, levava consigo a alegria do vinho, a alegria de ser português e a alegria de voltar a Portugal.</p>
	<p>Voltei a colocar a canção e ouvi-a mais uma vez até ao fim. O último dos portugueses estava morto.</p>
	<p>Ai, Portugal, Portugal<br />
De que é que tu estás à espera?<br />
Tens um pé numa galera<br />
E outro no fundo do mar<br />
Ai, Portugal, Portugal<br />
Enquanto ficares à espera<br />
Ninguém te pode ajudar</p>
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		<title>hoje&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Feb 2008 13:21:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blogdapontamentos</dc:creator>
		
	<category>ímpares</category>
		<guid>http://blogdapontamentos.blogsome.com/2008/02/26/hoje/</guid>
		<description><![CDATA[	hoje, entre as sete e as oito, estarei à conversa na Rua com Rogério Silva, a propósito do seu livro de contos Fonte Salgada. Devo confessar que, tal como Teresa Rita Lopes, fiquei assovacado com a obra, e de nada me adiantou não saber o significado da palavra.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>hoje, entre as sete e as oito, estarei à <a href="http://rua.pt/programas/detalhe.asp?id=29">conversa </a>na <a href="http://rua.pt/homepage/">Rua </a>com Rogério Silva, a propósito do seu livro de contos <a href="http://gentesingular.pt/livros/fsalgada.htm">Fonte Salgada</a>. Devo confessar que, tal como Teresa Rita Lopes, fiquei assovacado com a obra, e de nada me adiantou não saber o significado da palavra.
</p>
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