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3 04 2006Sento-me na esplanada com um romance acabado de comprar no colo.
O dia está ameno, nem quente nem frio, apesar de estar sol e correr uma brisa.
Um dia como eu gosto.
E um romance a espera de leitura.
Olho a capa, demoro-me no nome do autor e no título do romance.
Viro-o.
Enfrento o olhar do romancista, estudo-lhe as feições.
De novo a capa.
Passo agora os dedos pelo nome do autor e pelo título do romance (uma moda, esta dos altos-relevos na capa dos livros).
E sinto o peso do livro e a sua exagerada, digo-o com prazer, a sua exagerada espessura.
Abro-o e confirmo a minha impressão com um número.
Quinhentas e oitenta e nove, sim, quinhentas e oitenta e nove páginas mais três, sim, mais três que não estão numeradas mas, embora não sejam páginas de texto, são páginas do livro.
E espreito as badanas, primeiro uma e depois a outra, espreito-as apenas, que mais para a frente as lerei, devagar, muito devagar, e depois, depois espreitarei o fim do romance, e o princípio, e ficarei a pensar nas suas semelhanças e nas suas diferenças, que de uma forma ou de outra, o princípio e o fim são muito, muito importantes e nem sempre são aquilo que parecem.
Sim. Sim. Sim.
Mas fecho de o livro, volto a deitá-lo no meu colo, e…
Olho a capa, a contracapa, viro-o, abro-o, fecho-o, uma e outra vez, num frémito de antecipação em que me demoro com um prazer multiplicado.




