Poesia

9 06 2006

Perguntas-me o que é a poesia: digo-te de cor um magnífico poema de um autor consagrado.

Perguntas-me o que é para mim a poesia: volto-te as costas e saio da tua casa sem te responder.

Pergunto a mim mesmo o que é a poesia e escrevo este texto que é ele mesmo a pergunta.

O meu amigo

6 06 2006

A manutenção de um blog, ou vários – o que faço desde Agosto 2002 – é para mim a expressão viva do que poderia dizer sobre o que designarei por comodidade como o estado da literatura em Portugal. Por isso nada direi sobre o que este meu amigo escreveu e que, à sua maneira, tem feito o mesmo que eu com os seus blogs. Peço no entanto que o leiam com atenção e sigam os seus conselhos. De leitura. De reflexão.

Não li (ainda) o livro Gastar Palavras de Paulo Kellerman, Deriva Editores, vencedor do Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2005 APE/Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão . Mas já li o seu blog, e gostei bastante do que aí li, com um destaque especial para o último conto aí publicado.

Obscena

5 06 2006

“Esta sociedade é obscena em produzir e exibir indecorosamente uma abundância sufocante de mercadorias, ao mesmo tempo que priva muitos, da satisfação das necessidades vitais; obscena em atolhar-se a si própria de bens, enquanto as latas dos seus desperdícios envenenam o mundo dos explorados (…) Obscena não é a gravura de uma mulher nua que expõe os pêlos do púbis, mas sim o general completamente vestido que exibe as suas medalhas de uma guerra de agressão.”

Herbert Marcuse, in «Ensaio para a Libertação»

[Obscena? Ora aí está uma palavra que eu poderia usar muitas vezes.]

Crítica Terminal

2 06 2006

(Ao fim da tarde na esplanada)

- Já leste o último livro do X? É o pior romance do ano!
- Tu leste?
- Eu? Não! Deus me livre. Antes preferia beber um litro de azeite

[Esta é para ti, que a inventaste.]

A arte da aranha

31 05 2006

[Pedi-lhe uma história, e ela contou-me uma, novinha em folha, ali mesmo, de um momento para o outro. E ilustrou-a.]

Uma aranha fazia teias diferentes, com formas.

As baratas riam-se dela. As joaninhas também.

Procurou outras opiniões sobre a sua arte, mas ninguém parecia gostar. Os humanos até destruíam as suas teias à vassourada.

Procurou então a opinião de outras aranhas, mas elas também não gostavam. Disseram-lhe que as teias dela eram muito esquisitas. Que não era assim que tinham aprendido. Mas quando ela se questionou se seria a única a fazer teias assim, recordaram-se da aranha que vivia na árvore oca.

Foi até lá.

As teias dessa aranha eram mesmo diferentes, mas ela estava cansada de fazer teias de que ninguém gostava e estava prestes a desistir.

Falaram durante muito tempo e decidiram fazer juntas uma teia singular e maravilhosa. Todos que as viam achavam-na linda. E até as demais aranhas ficaram convencidas, e passaram de vez em quando a fazer teias diferentes.

[Não tem esta história tudo o que precisa? Curioso como podemos contar várias histórias usando uma mesma estrutura.]

Albricoques e Alperces

30 05 2006

Alguém me garante que os albricoques são mais pequenos que os alperces.

E os damascos, pergunto eu, são maiores ou mais pequenos?

O “tom” dos blogues

28 05 2006

Qual é o “tom” deste blog? Essa é fácil. É “ton sur ton”.

Oryx and Crake

26 05 2006

Entro na livraria para comprar O Ofício de Viver, de Cesare Pavese, e saio com Orix e Crex - O Último Homem, de Margaret Atwood. Não tinham o primeiro e o segundo estava na minha lista de livros a ler.

Alguém me explica por que Oryx and Crake passa a Orix e Crex - O Último homem?

E a capa, meus deuses, a capa…

A propósito do Prémio Camões

25 05 2006

Por que é que Miguel Torga, João Cabral de Melo Neto, José Craveirinha, Vergílio Ferreira, Rachel Queirós, Jorge Amado, José Saramago, Eduardo Lourenço, Pepetela, António Cândido, Sophia de Mello Breyner Andresen, Autran Dourado, Eugénio de Andrade, Maria Velho da Costa, Ruben Fonseca, Agustina Bessa-Luís e Lygia Fagundes Telles aceitaram o Prémio Camões?

E não é a primeira vez que um premiado recusa o Prémio Camões, mas sim a segunda.