pequenas histórias viciadas 6 e 7
12 03 2008[chego assim às 7x7 e por aqui fico]
EN PASSANT
Deixou de jogar xadrez. Perdeu vinte quilos.
O VIRA-CASACAS
Morreu e passou a acreditar em Deus.
[chego assim às 7x7 e por aqui fico]
EN PASSANT
Deixou de jogar xadrez. Perdeu vinte quilos.
O VIRA-CASACAS
Morreu e passou a acreditar em Deus.
[Depois do Fernando, duas histórias viciadas para a Margarida, completando assim a trindade minguântica.]
CONDIÇÃO FEMININA
Sabia-lhe bem, mas a ele sabia-lhe melhor.
A FEMINISTA DETERMINADA
Amava-o mas não tinha escolhido amá-lo. Deixou-o.
O MONGE
Abandonou o hábito e entregou-se ao vício.
O MEU AVÔ
O meu avô tinha no quintal um pessegueiro, uma pequena árvore exigente e soberba. Quando o Verão chegava, o meu avô não conseguia resistir ao apelo dos frutos, belos e olorosos, apesar de os saber carregados de bicho. Passava então o dia a contemplar o pessegueiro, como se quisesse encher-se da sua imagem, e a recriminar-se por não se ter dado ao trabalho de tratar da árvore na altura própria. Mas à noite, no escuro da noite, o meu avô escapulia-se para o quintal e comia os pêssegos directamente da árvore com deliciosa sofreguidão. Gosto de o recordar assim.
Mas é culpado ou inocente?
Culpado, senhor doutor, sou culpado, mas que fique bem claro que a culpa não é minha!
- Se o que é verdadeiramente importante fica sempre por dizer, porque insistes em dizê-lo?
- (silêncio absoluto)
uma palavra
na verdade duas
na verdade três
Ela estava muito grávida, ele um bocadinho.
[próximo tema da revista minguante: espelhos]
Olhou-se ao espelho com complacência; o espelho olhou-o com severidade.
Gosto mais de ti por dentro do que por fora, disse ela, e ele virou-se do avesso, mas de nada adiantou.
Tudo o que esperava da vida era que ela passasse depressa. Morreu, inesperada e subitamente, aos noventa e dois anos de idade.
Expressava-se com muita dificuldade. Tornou-se mestre no silêncio.
Esperou toda a sua vida pela mulher perfeita. Ela apareceu no seu funeral.


[Suspendo aqui a minha actividade de blogger. Reparo uma vez mais que sou mais fiel aos meu sentimentos que aos meus planos. Não levei até ao final, como anunciei, a publicação dos textos em curso (ficaram a faltar oito), antes vos deixando mais cedo e com algo diferente. Até mais ver que (eu) vou ser para outro lado.]
Luís Ene
I
“Porque nunca me perguntas nada?”, disse-lhe ela, e ele perguntou a si mesmo por que seria.
II
“Porque nunca me perguntas nada?”, disse-lhe ela, e ele pensou que o problema não estava nas perguntas mas nas respostas.
III
“Porque nunca me perguntas nada?”, disse-lhe ela, e ele olhou-a, interrogativamente.

fotografia daqui
Luís Ene

I
“De que cor é o mar?”, perguntou-lhe ela, e ele fechou os olhos para ver melhor.
II
“De que cor é o mar?”, perguntou-lhe ela, e ele olhou-a à procura de uma resposta.
III
“De que cor é o mar?”, perguntou-lhe ela, e ele respondeu-lhe que era da cor do seu olhar.

Luís Ene
I
“Porque estás tão calado?”, perguntou-lhe ela, e ele foi todo ouvidos.
II
“Porque estás tão calado?”, perguntou-lhe ela, e ele abriu-se num sorriso caloroso.
III
“Porque estás tão calado?”, perguntou-lhe ela, e ele pensou em responder-lhe com uma pergunta.

fotografia daqui
Luís Ene
I
“Tens alguma coisa a dizer-me?”, perguntou-lhe ela, e ele soube que as perguntas ainda mal tinham começado.
II
“Tens alguma coisa a dizer-me?”, perguntou-lhe ela, e ele ficou à espera do que ela tinha para lhe dizer.
III
“Tens alguma coisa a dizer-me?”, perguntou-lhe ela, e ele disse a si mesmo que só lhe restava negar tudo com veemência.

fotografia daqui
Luís Ene
I
“O que queres da vida?”, perguntou-lhe ela, e ele disse a si mesmo que lhe bastava estar vivo.
II
“O que queres da vida?”, perguntou-lhe ela, e ele sentiu de imediato a presença da morte.
III
“O que queres da vida?”, perguntou-lhe ela, e ele teve vontade de lhe apertar o pescoço.

Luís Ene
I
“O que queres dizer com isso?”, perguntou-lhe ela, e ele arrependeu-se imediatamente de o ter dito.
II
“O que queres dizer com isso?”, perguntou-lhe ela, e ele disse a si mesmo que o melhor era não acrescentar coisa alguma.
III
“O que queres dizer com isso?”, perguntou-lhe ela, e ele apressou-se a dizer-lhe que não era nada do que ela estava a pensar.

imagem daqui
Luís Ene
I
“És feliz?”, perguntou-lhe ela, e ele pensou nisso pela primeira vez há muito tempo.
II
“És feliz?”, perguntou-lhe ela, e ele sentiu a dúvida a instalar-se nele.
III
“És feliz?”, perguntou-lhe ela, e ele amaldiçoou-a por isso.

fotografia daqui
Luís Ene
I
“Estás a dizer-me a verdade?”, perguntou ela, e ele respondeu para si mesmo que sim, claro, que coisa, estava a dizer a sua verdade.
II
“Estás a dizer-me a verdade?”, perguntou ela, e ele começou a duvidar de si mesmo.
III
“Estás a dizer-me a verdade?”, perguntou ela, e ele mentiu-lhe mais uma vez.

fotografia daqui
Luís Ene
I
“Quanto tempo consegues aguentar sem sexo?”, perguntou-lhe ela, e ele calou bem fundo um sentido “Ainda mais?”.
II
“Quanto tempo consegues aguentar sem sexo?”, perguntou-lhe ela, e ele respondeu com um cauteloso “depende”.
III
“Quanto tempo consegues aguentar sem sexo?”, perguntou-lhe ela, e ele disse-lhe com um sorriso que atingira o seu limite.

fotografia daqui
Luís Ene
I
manhã cedo muito cedo
os passarinhos frequentam
felizes aulas de música
e depois disso não têm
nenhuma obrigação
a não ser voarem livres
II
perguntas-me
por que não escrevo
o mar
explico-te que
no seu ir e vir
constante
de tons e cores
ele é já
um poema
III
tudo o que preciso
chega-me dos outros
mas gosto de pensar
ter tido em mim
um remoto
começo
Luís Ene
I
“Por que me olhas tão intensamente?”, perguntou ela, e ele mergulhou ainda mais dentro de si mesmo.
II
“Por que me olhas tão intensamente?”, perguntou ela, e ele olhou-a como se ela mesma fosse a pergunta.
III
“Por que me olhas tão intensamente?”, perguntou ela, e ele despertou finalmente do seu sonhar acordado.

fotografia daqui
Luís Ene
I
“O que é escrever?”, perguntou-lhe ela, e ele olhou-a intensamente até que ela se viu reflectida no seu olhar.
II
“O que é escrever?”, perguntou-lhe ela, e ele agarrou numa caneta e escreveu a pergunta na palma da mão esquerda.
III
“O que é escrever?”, perguntou-lhe ela, e ele respondeu que era isso mesmo, e não disse mais nada.

Luís Ene
I
“Porquê o ser e não o nada?”, perguntou-lhe ela, e ele sentiu em si um profundo abalo metafísico mas fez como se nada fosse.
II
“Porquê o ser e não o nada?”, perguntou-lhe ela, e ele percebeu que nunca antes tinha sentido em si tanta vontade de ser.
III
“Porquê o ser e não o nada?”, perguntou-lhe ela, e ele repetiu a pergunta para si mesmo, breves instantes antes de deixar finalmente de ser.

Luís Ene
Fotografia daqui
I
“Por que nunca acreditas em mim?”, perguntou-lhe ela, e ele nem queria acreditar no que ouvia.
II
“Por que nunca acreditas em mim?”, perguntou-lhe ela, e ele olhou-a nos olhos, ainda com mais desconfiança do que era habitual.
III
“Por que nunca acreditas em mim?”, perguntou-lhe ela, e ele acreditou nela pela primeira vez.

Luís Ene
I
“Por que te esforças tanto?”, perguntou-lhe ela, mas ele nem a ouviu, tão concentrado estava a tentar agradar-lhe.
II
“Por que te esforças tanto?”, perguntou-lhe ela, e ele ficou a pensar no exacto sentido da pergunta.
III
“Por que te esforças tanto?”, perguntou-lhe ela, e durante várias horas ele fez o possível e o impossível para lhe explicar a razão.

Luís Ene
fotografia daqui
I
“Quem sou eu?”, perguntou-lhe ela, e ele lembrou-se do tempo em que tinha uma resposta simples para essa pergunta.
II
“Quem sou eu?”, perguntou-lhe ela, e só então ele percebeu que não sabia a resposta.
III
“Quem sou eu?”, perguntou-lhe ela, ele olhou-a como se a visse pela primeira vez. Só assim lhe poderia verdadeiramente responder.

Luís Ene
I
“É verdade que me trais?”, perguntou-lhe ela, e ele disse a si mesmo que sim, sim, sim, bem podia ficar à espera de uma resposta.
II
“É verdade que me trais?”, perguntou-lhe ela, e ele calou-se, mas ficou a pensar que até não era uma má idéia.
III
“É verdade que me trais?”, perguntou-lhe ela, e ele respondeu que não, sem hesitações, sem mesmo pensar. Se havia uma coisa que nunca faria era trair-se a si mesmo.

Luís Ene
fotografia daqui
I
“Qual é o teu desejo mais profundo?”, perguntou-lhe ela, e ele ficou a pensar se ela tornaria o seu desejo realidade caso ele lhe dissesse qual era.
II
“Qual é o teu desejo mais profundo?”, perguntou-lhe ela, e ele nada disse: o desejo devia ser profundo e todo ele era superficialidade.
III
“Qual é o teu desejo mais profundo?”, perguntou-lhe ela, e ele caiu em si à procura de uma resposta e nunca mais voltou.

Luís Ene
fotografia daqui
I
“É melhor estar vivo ou estar morto?”, perguntou-lhe ela, e ele nem hesitou: disse-lhe que preferia estar morto. Acho que foi isso que lhe salvou a vida.
II
“É melhor estar vivo ou estar morto?”, perguntou-lhe ela, e ele respondeu que preferia estar vivo. Viveu ainda muitos e muitos anos, tantos que várias foram as vezes que implorou pela morte.
III
“É melhor estar vivo ou estar morto?”, perguntou-lhe ela, mas ele nem tentou responder. Havia muito que estava completamente morto.

Luís Ene
I
“Serias capaz de prescindir de sexo por amor?”, perguntou-lhe ela, e ele ergueu sobressaltado o olhar dos seus generosos seios e pediu-lhe para repetir a pergunta.
II
“Serias capaz de prescindir de sexo por amor?”, perguntou-lhe ela, e ele respondeu para si mesmo que sim, sim, sim, mal podia esperar para levá-la para a cama.
III
“Serias capaz de prescindir de sexo por amor?”, perguntou-lhe ela , e ele respondeu que sim, claro, sem dúvida, o que não faria por amor. Estava há muito habituado a mentir por sexo.

[O título é o mesmo que sugeri há dias a um amigo para um blog que pretendia criar. Se vier a criá-lo desde já lhe ofereço este texto.]
Luís Ene
a fotografia veio daqui
I
“Por que me amas?”, perguntou-lhe ela, e ele não só não lhe respondeu como fez tudo para esquecer a pergunta. Tinha bastante medo de, caso um dia soubesse a resposta, deixar de a amar.

II
“Por que me amas?”, perguntou-lhe ela, e ele respondeu-lhe sem hesitar: Porque desconheço a razão! Foi nesse exacto momento que ela começou a amá-lo.

III
“Por que me amas?”, perguntou-lhe ela, e ele começou a falar-lhe com entusiasmo do último livro que lera. Então ela sorriu de felicidade, pois, tal como ele, também ela não sabia por que o amava.

[Por que amamos? Amamos para que o amor aconteça!]
Luís Ene
Não me interessa
perceber
o que faz a beleza do poema
reconhecê-la é
para mim
muito mais do que o suficiente.
escrevo
uma palavra
e sei
sei que em mim
não estou só
sei que os outros
existem
também
sei que um dia
alguém
a lerá
tudo isso
eu sei e
muito mais
com uma
palavra só
Luís Ene
[apetecia-me escrever algo divertido mas por estes dias só consigo escrever parvoíces sem graça nenhuma]
Luís Ene
em cada palavra
que eu escrevo
eu sou
e não sou
e em cada uma delas
eu vivo
e em cada uma delas
eu morro
–>
[escrevo um texto maior, perseguindo uma ideia que me escapa e, quando desisto e o abandono, surge-me este outro, muito mais breve, um quase silêncio, em que dizendo muito muito menos tenho a certeza de dizer muito muito mais.]
Luís Ene
É um não-sei-o-quê, dizia ela sempre que lhe perguntavam o que era o amor, e estou certo que não o fazia por ignorância, mas por sabedoria. Da mesma forma respondo eu quando me perguntam o que é a literatura, só que no meu caso não sei se o faço por sabedoria ou por ignorância.
Luís Ene
Desenho
palavra a palavra
este não sei o quê
que em mim
sempre habita
e chamo-lhe
poema
Luís Ene

I
Antes, toda a sua vida lhe parecia desperdiçada: aborrecia-se, zangava-se, amargurava-se e queixava-se constantemente da vida. Agora, sabe que tudo o que vive, tudo o que em si descobre e sente, é matéria-prima pronta a ser usada: aborrece-se, zanga-se, amargura-se, escreve, e mil vezes agradece à vida.
II
Há pessoas que falam sozinhas e há pessoas que falam consigo próprias, não são as mesmas pessoas, dizias-me, e eu concordava contigo, mas a verdade é que ainda hoje não vejo a diferença.

Passávamos muitas horas encostados às paredes do Café Aliança. O mundo à nossa volta movia-se depressa, estava tudo finalmente a acontecer, e nós ficávamos ali, contemplativos e pedantes. O café continuava a perfeita imagem da cidade, com as suas diversas salas e desníveis, compartimentos fechados por onde circulávamos à vontade. Mas a maior parte do tempo ficávamos ali, encostados às paredes do Café Aliança, na esquina em frente ao coreto e, se o mundo fosse como então o sonhámos, ainda ali estaríamos.

Chamo-te
e tu vens
Estás aqui
Neste poema
Esta é a força
e a fraqueza
da poesia

1.
O mundo não existe
em si mesmo
O mundo existe
porque o sentimos
O mundo existe
porque o fingimos
O mundo só existe
em nós mesmos
2.
e pouco a pouco
muito pouco a pouco
sem nada
verdadeiramente
mudar
tudo se transforma
Luís Ene
Sentia sempre o mesmo e não percebia porquê. Um dia, esforçou-se por ser ele mesmo, e logo se sentiu muito diferente.
[Escrevo um primeiro texto, a que chamo Paradoxo, e considero-o completo. Depois, logo a seguir, quando o leio uma última vez, mudo-lhe uma palavra, corto duas frases e surge um segundo texto que se parece muito mais com o que eu procurava. E no entanto… ]
Primeiro
Abro a porta e entro.
Está tudo às escuras.
Acendo a luz.
A luz cega-me.
Fecho os olhos.
Abro-os de novo.
Não vejo nada.
Recuo assustado.
Fecho a porta.
Nunca mais ali volto.
Segundo
Abro a porta e saio.
A luz cega-me.
Fecho os olhos.
Abro-os de novo.
Não vejo nada.
Recuo assustado.
Fecho a porta.
Nunca mais ali volto.
Luís Ene
A visita
No dia 30 de Janeiro de 200… pela manhã, José Matos recebeu a visita da morte. Estava um dia claro e preparava-se para sair. Era Helena, a sua mulher, falecida há pouco mais de um ano, mas ele não conseguiu dizer o seu nome, não conseguiu dizer nada, e ficou a olhá-la nos olhos, à espera.
Preciso que venhas comigo, disse ela, com o meio sorriso que lhe era tão habitual, a cabeça ligeiramente à banda, num inequívoco tom de comando que não admitia contestação. Ele olhou-a com saudade mas não se moveu, limitando-se a encher-se com a imagem dela.
Anda, disse ela, e juntou o gesto à palavra, pousando-lhe a mão direita no ombro. Ele estremeceu de prazer ao sentir o frio dos dedos dela beijarem-lhe a pele. Ela tinha sempre as mãos frias, de Verão ou de Inverno. Era uma das muitas coisas que gostava nela, uma das muitas razões porque gostava dela. O seu meio sorriso, o seu ar decidido, as suas mãos frias.
Anda, disse ela de novo, e ele foi com ela. Desceram de mãos dadas no elevador e assim caminharam até ao carro dele, estacionado ali mesmo em frente, mas ele nunca olhou para ela. Eu conduzo, disse ela, e ele entregou-lhe as chaves e foi sentar-se ao lado dela. Foi assim que ela morreu, disse a si mesmo, mas mal o disse logo o esqueceu, e só à saída da cidade, ao ver que ela seguia o mesmo caminho é que voltou a dizer a si mesmo que fora assim que ela morrera, mas, mais uma vez, esse pensamento o abandonou tão rapidamente como lhe surgira. Olhava em frente, fixamente, mas sentia com invulgar intensidade a presença dela, como se a sentisse com um sentido nunca antes usado, e sentia-se sereno, quase feliz, como antes.
Cinco quilómetros depois, à entrada da curva sobre o mar que ela rompera, decidida, fechou os olhos e esforçou-se por senti-la ainda mais, mais, mais, ainda mais, mas apenas sentiu então o carro guinar bruscamente, os ouvido cheios do chiar dos pneus e do riso álacre da mulher, das suas gargalhas soltas. Abriu os olhos e procurou-a mas ela já não estava ali, estava fora do carro e olhava para ele, debruçada para dentro. Agora deixa-me ir, disse ela, e desapareceu do seu campo de visão.
Ele saiu também, olhou em volta, mas já não a viu. Então encaminhou-se para a beira do precipício sobre o mar e ficou ali, no mesmo lugar onde tinham os dois assistido muitas vezes ao pôr-do-sol. Depois, voltou para o carro, olhou em frente, para a estrada, deu a volta à chave e pôs o carro em andamento.
Luís Ene
A vida
A vida
devora-nos
até
à morte
se assim
o quisermos
se tivermos
sorte
Luís Ene