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24 07 2008S – Todos os que o conheciam diziam que era muito calado, e era verdade, calava-se com frequência, ainda que só ficasse verdadeiramente em silêncio quando surpreendia por instantes o mistério do mundo.
I – Aquele homem desconhecia o silêncio: tinha uma audição apurada, que amplificava todos os sons, e, como se não fosse suficiente, ouvia vozes.
L – Às vezes desligava o som da televisão. Era sua forma de protestar.
Ê – Perante os crescentes protestos, pediu silêncio, e foi atendido, mas, quando os olhou, logo percebeu que ainda não se tinham calado.
N – Ficou em silêncio. Tinha coisas demais para dizer.
C – No exacto momento em que perdeu a audição perdeu também a visão. Ficou para sempre excluído do mundo do audiovisual.
I – O silêncio nunca é o que fica por dizer, afirmava ele, e calava-se.
O –
