NÓS OS DOIS

7 01 2008

Jantávamos os dois, pela primeira vez, no meu restaurante preferido, onde só vou muito de vez em quando. O serviço era excelente, a comida também, e até havia música ao vivo. Ela sorria, agitava-se, parecia quase feliz, mas havia nela algo indefinível, um ligeiro enfado, um ligeiro desespero, qualquer coisa assim. Conversámos, bebemos vinho tinto, trocámos confidências, e ela revelou-me o seu maior segredo. Quando algo bom lhe acontecia, sentia sempre, mas sempre, que podia ser melhor, muito melhor, e nunca, mas nunca, afinal o era. Foi então que, por alguns instantes, também eu senti que poderia ser melhor, muito melhor. Podias ser tu, e não ela, ali comigo. Mas eu sabia muito bem que nem isso era verdade.

[Jantávamos os dois
pela primeira vez
no meu restaurante preferido

onde só vou muito
de vez em quando
O serviço era excelente
a comida também
e até havia música ao vivo

Ela sorria, agitava-se
parecia quase feliz mas
havia em si algo indefinível
um ligeiro enfado
um ligeiro desespero
qualquer coisa assim

Conversámos
bebemos vinho tinto
trocaram-se confidências
e ela revelou-me
o seu maior segredo

Quando algo bom
lhe acontecia
ela sentia sempre
que poderia ser melhor
muito melhor
e nunca, mas nunca
afinal o era

Foi então que
por alguns instantes
também eu senti
que poderia ser melhor
muito melhor

Podias ser tu
e não ela
ali comigo

Mas eu sabia
muito bem
que nem isso
era verdade]

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