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5 12 2007O MEU AVÔ
O meu avô tinha no quintal um pessegueiro, uma pequena árvore exigente e soberba. Quando o Verão chegava, o meu avô não conseguia resistir ao apelo dos frutos, belos e olorosos, apesar de os saber carregados de bicho. Passava então o dia a contemplar o pessegueiro, como se quisesse encher-se da sua imagem, e a recriminar-se por não se ter dado ao trabalho de tratar da árvore na altura própria. Mas à noite, no escuro da noite, o meu avô escapulia-se para o quintal e comia os pêssegos directamente da árvore com deliciosa sofreguidão. Gosto de o recordar assim.
