Dois livros, duas escritoras, uma só interrogação (5)
5 02 2007Rodrigo S. M. vai contar-nos a história de uma pobre moça nordestina, mas vai não só contá-la como também interrogar-se sobre o que o leva a contá-la e como o poderá fazer. Questiona-se assim, ainda antes de começar a contar a história, sobre por que escreve, como escreve e o que é escrever. Perguntas para as quais talvez não existam respostas definitivas ou talvez existam apenas perguntas. É assim que ele mesmo pergunta (ou será a escritora Clarice Lispector?) e responde:
Por que escrevo? Antes de tudo porque captei o espírito da língua e assim às vezes a forma é que faz o conteúdo. Escrevo portanto não por causa da nordestina mas por motivo de “força maior”, como se diz nos requerimentos oficiais, por “força de lei”.
E se pergunta e responde por que escreve também pergunta e responde como escreve:
Verifico que escrevo de ouvido assim como aprendi inglês e francês.
E, seja como for, diz-nos enfaticamente Rodrigo S. M. (ou será Clarice Lispector?):
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever.
(a continuar)
