Dois livros, duas escritoras, uma só interrogação (4)

2 02 2007

Talvez os actos mais essenciais, mais verdadeiros, sejam, todos eles, paradoxais, irredutíveis a uma qualquer expressão, a não ser através de uma disciplina indisciplinada, um amor apaixonado, como a literatura é: esse escrever de nós mesmos através dos outros que em nós existem, esse ir de nós mesmos que torna possível voltarmos a nós. É a própria Lygia Fagundes Telles, a terminar o livro, ou talvez já depois, que nos diz algo semelhante, na sua linguagem quase água:
Inventei datas que fui deixando cair por estas páginas assim ao acaso e agora não sei quais são as inventadas e quais são as reais.
Debruço-me sobre algumas para examiná-las de perto e a proximidade as torna singularmente mais distantes.

(a continuar)

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