fragmentos de uma conversa com um amigo que já morreu
23 08 2006[este blog continua, como muito bem refere o Henrique, intermitente.]

Dizes-me que gostas de apreciar os tornozelos das mulheres e eu sorrio. Temos praticamente a mesma idade, mas tu pareces ser do tempo em que ainda se despiam as mulheres com os olhos.

Dizes-me que a filosofia não serve para nada, respondo-te que é mesmo assim, ajuda-nos tão só a viver; mas tu insistes que é inútil, completamente inútil, e concluis, Estamos todos a morrer.

Pergunto-te por que te suicidaste e tu pareces admirado. Por que não me perguntas antes, dizes-me, por que razão me cansei de viver? E eu digo-te que sei como te cansaste de viver, e tu insistes em perguntar, Por que queres saber então por que me suicidei? Então eu calo-me, se há uma coisa que eu sei é que não se deve discutir com os mortos.

Dizes-me, Quando morreres eu morrerei outra vez, e eu respondo-te com um sorriso, Não percebeste ainda que não morreremos enquanto alguém se lembrar de nós? E apresso-me a escrever estas linhas.

porque é q não se deve discutir com mortos?
o morto até estava a gostar : )
Comment by mairiam — 24 08 2006 @ 2:36 am
isto é lindo.
adorei as imagens.
adorei o texto.
Comment by Sílvia Antunes — 24 08 2006 @ 11:13 am
…escrever… para que não morra a certeza de que a eternidade é apenas o verso da morte, a sua irmã gémea (?)
Comment by joao — 26 08 2006 @ 1:57 am