O anjo
27 05 2006
Ele está sentado num banco de jardim, as pernas cruzadas, a olhar o céu, azul, sem nuvens; e na sua boca aberta os lábios movem-se sem dizer nada. As pessoas passam mas não o vêem. Umas vão apressadas, outras levam a cabeça baixa. Ignoram-no. Se o olhassem saberiam que é um anjo. A boca exausta denuncia-o.
Sento-me ao seu lado, em silêncio, e fico a olhar para cima, também eu cego de azul.
As pessoas passam por nós mas não nos vêem.
