[É o fim, disse ele…]
30 01 2006É o fim, disse ele, mas já ninguém o ouviu.
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É o fim, disse ele, e tudo voltou ao princípio.
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É o fim, disse ele, mas na verdade era apenas o princípio do fim.
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É o fim, disse ele, e foi mesmo a última coisa que disse.
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É o fim, disse ele, e tinha razão, morreu ali mesmo.
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É o fim, disse ele, mas não estava sozinho e teve de continuar.
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É o fim, disse ele, mas infelizmente era apenas o intervalo.
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É o fim, disse ele, e morreu exactamente sobre a meta.
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É o fim, disse ele, e ela concordou.
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É o fim, disse ele, e não foi preciso repetir.
[…]

É o fim, disse ele, instantes antes de iniciar a vida eterna.
É o fim, disse ele, antes de descobrir que o livro tinha mais dois volumes.
É o fim, disse ele, mas tinha-se esquecido de comprar a arma.
É o fim, disse ele, o fim-fim-fim-lan-lan-lan-dê-dês.
É o fim, disse ele, após ter criado o homem ao sexto dia.
Comment by fgs — 31 01 2006 @ 1:25 am
Obrigado Fernando. A ideia era mesmo essa, continuar. Afastar o fim.
Curioso como a ficção tem infinitas possibilidades. Curioso como a criatividade é tanto maior, ou mais vísivel, quando maiores são as restrições.
Comment by Administrator — 31 01 2006 @ 10:03 am
Subscrevo totalmente a tua última frase.
A criatividade condicionada dá uma pica do caraças, pá. Pelo menos, a mim dá.
Um abraço.
Comment by fgs — 1 02 2006 @ 2:14 am
Só hoje descobri estes fins; aí vai mais um
:)
THE END
O primeiro, que era um pessimista, disse: Isto é o princípio do fim!
O segundo, que era um optimista, respondeu: Não, é apenas o fim do princípio.
O terceiro, que tinha andado a ler um livro de estórias zen, concluiu: Seja lá o que for, vamos mas é jantar!
Comment by João Ventura — 24 03 2006 @ 4:21 pm